| Anos
1970 - o início da era punk
A pré-história
da banda está centrada no Queens, um dos cinco distritos
de Nova York - mais especificamente, no bairro de Forest Hills.
Os integrantes se conheciam desde a adolescência, quando eram
dos poucos jovens da vizinhança fãs de bandas como
Stooges e MC5, e haviam tocado em bandas de garagem durante o colégio.
Quando Douglas Colvin e John Cummings decidiram montar uma banda,
chamaram para a bateria um conhecido de Douglas, Jeffrey Hyman.
Nos primeiros ensaios John tocava a guitarra e Douglas tocava o
baixo e cantava. Douglas, em homenagem a Paul McCartney, que, para
evitar o assédio da imprensa e dos fãs, havia usado
o nome "Paul Ramon" ao se registrar em hotéis,
decidiu adotar o nome artístico Dee Dee Ramone (ramon com
um "e" no final). Os outros integrantes decidiram adotar
nomes artísticos parecidos: John se tornou Johnny Ramone
enquanto Jeffrey adotou o nome Joey Ramone, e a banda foi batizada
como Ramones.
Como o conhecimento musical deles não era extenso, Dee Dee
tinha dificuldade para tocar e cantar ao mesmo tempo. A banda decidiu
que os vocais ficariam com Joey, e que eles iriam procurar por um
novo baterista. Foram feitas diversos testes no pequeno estúdio
Performance Studio, onde trabalhava um velho amigo dos integrantes
da banda, Thomas Erdelyi. Antes de cada teste Erdelyi pegava as
baquetas para mostrar aos candidatos como era o estilo da banda,
e como Johnny, Joey e Dee Dee não gostaram dos candidatos
que se apresentaram, logo ficou evidente que o melhor baterista
para os Ramones seria o próprio Erdelyi. Ele adotou o nome
Tommy Ramone e entrou na banda.
O primeiro show dos Ramones foi feito no Performance Studios, em
30 de março de 1974. Logo a banda passaria a fazer shows
na casa noturna CBGB's, integrando uma cena "undergound"
composta por bandas como Blondie, Television, The Cramps, Talking
Heads, Richard Hell and the Voidods e The Patti Smith Group.
Em 1975 conseguiram um contrato de cinco anos com a gravadora Sire
Records. Seu primeiro LP, Ramones, lançado em 1976, tinha
14 músicas rápidas e curtas - a duração
do álbum é de pouco mais de 29 minutos. A banda começou
a fazer shows nos Estados Unidos para divulgar o álbum, mas
fora de Nova York a recepção do público não
foi calorosa. A exceção foi a Inglaterra: um show
realizado em Londres em 4 de julho de 1976 foi um grande sucesso.
Entre os presentes no show estavam os integrantes de bandas que
estavam dando seus primeiros passos, como The Clash e Sex Pistols,
e compartilhavam com os Ramones as influências musicais de
Stooges, MC5 e New York Dolls.
Em 1977 a banda lançou dois álbuns, Leave Home e Rocket
to Russia, os últimos com Tommy Ramone na bateria. Neste
ano as bandas inglesas The Clash e Sex Pistols lançaram seus
álbuns de estréia e diversos singles, com considerável
sucesso de público, e ganharam o rótulo de punk. Os
shows dos Ramones na Inglaterra atraíam um público
cada vez maior, e a performance feita em 31 de dezembro no Rainbow
Theatre foi capturada e posteriormente lançada no disco ao
vivo It's Alive (de 1979).
No ano seguinte os Ramones gravam o álbum Road to Ruin, tendo
nas baquetas Marky Ramone (Mark Bell, ex-integrante do Richard Hell
and the Voidoids). Thomas Erdelyi, que havia deixado a banda e abandonado
o nome artístico Tommy Ramone, foi o produtor do disco. Ele
tem faixas que apontam para uma direção mais pop,
como Don't Come Close e Questioningly, além da clássica
I Wanna Be Sedated. Nesse mesmo ano a banda participou do filme
Rock'n'Roll High School, que também contou com faixas dos
Ramones na trilha sonora.
Mesmo com o surgimento da onda punk na Inglaterra, a composição
de músicas mais melódicas e a participação
em um filme, os discos dos Ramones não foram sucesso de público,
ficando muito distante do Top 10 da Billboard. Ao mesmo tempo, a
imprensa especializada publicava excelentes críticas sobre
seus discos e bandas na Inglaterra e Estados Unidos surgiam inspiradas
no exemplo dos Ramones.
Anos
1980 - tensões na banda
No início
da década de 1980, conflitos começaram a provocar
tensão na banda. Até então Joey tinha pouca
participação na composição das músicas,
que ficavam quase só a cargo de Johnny e Dee Dee, e nessa
época ele passa a ter um papel mais importante nos bastidores.
Em uma tentativa quase desesperada de alcançar o sucesso
comercial, a gravadora e os Ramones havia chamado o produtor Phil
Spector para produzir o próximo disco da banda. Spector se
tornou famoso na década de 60 produzindo discos de bandas
como The Ronettes e Crystals, e na década de 70 produziu
diversos discos da carreira solo dos ex-Beatles John Lennon e George
Harrison. Joey era um grande fã de Spector e do pop bubblegum
dos anos 60, o que ficou claro no álbum End Of The Century.
O disco teve a melhor recepção comercial da carreira
dos Ramones, mas foi mal recebido pela crítica especializada
e pelos fãs antigos e resultou em uma queda-de-braço
entre Joey, que queria um som mais pop, e Johnny, que desejava manter
o estilo do início da banda.
A amizade entre os dois ficou ainda mais abalada depois que Linda,
uma namorada de Joey, trocou--o por Johnny, com quem acabaria se
casando. Essa situação inspirou a letra de The KKK
Took My Baby Away, terceira faixa de Pleasant Dreams, álbum
gravado em 1981. Nessa época os Ramones haviam perdido as
esperanças de alcançar o estrelato, mas decidiram
continuar fazendo shows e lançando discos, ano após
ano, em uma das mais longas carreiras de uma banda de rock.
Em 1983 lançaram Subterranean Jungle, com destaque para as
faixas Psycho Therapy e Outsider. Durante as gravações
do disco, Marky, então com um sério problema de abuso
de álcool, abandonou a banda, e algumas das faixas tiveram
a bateria gravada por músicos de estúdio.
No ano seguinte gravaram Too Tough to Die, já com o substituto
de Marky, Richie Ramone (Richard Reinhardt. Esse álbum contém
Howling At The Moon (Sha-la-la) e Durango 95, que se tornou a introdução
das apresentações da banda na década de 1990.
Richie foi um dos principais responsáveis pela aceleração
do compasso da banda durante os shows. Nas apresentações
ao vivo, os Ramones começaram a tocar suas músicas
cada vez mais rapidamente, tornando suas canções ainda
mais curtas. Esse estilo rápido foi capturado no disco ao
vivo Loco Live, lançado em 1991, quando Richie já
havia deixado a banda.
O próximo disco foi Animal Boy (1986), contendo My Brain
Is Hanging Upside Down (Bonzo Goes to Bitburg) e Something To Believe
In. Em seguida gravaram Halfway to Sanity (1987), um álbum
sombrio que retrata um momento difícil da banda, as brigas
e a saída do baterista Richie, semanas após o fim
das gravações. Um fato curioso é a entrada
de Elvis Ramone (Clem Burke, baterista do Blondie), por apenas algumas
semanas, na turnê de promoção do álbum.
Elvis era fã da banda, mas não se encaixou no ritmo
acelerado do som do grupo, ficando por pouco tempo.
Marky Ramone retorna à banda ainda durante a turnê
de Halfway to Sanity, e em 1989 os Ramones gravam Brain Drain. O
disco conta com as músicas I Believe In Miracles e Pet Sematary.
Esta última é tema do filme de mesmo nome, baseado
na novela de Stephen King, e se tornou um dos singles de maior sucesso
dos Ramones.
|
No
meio da turnê do álbum Dee Dee saiu da banda, alegando
estar cansado das turnês exaustivas (anos depois ele admitiu
estar abusando de heroína e outras drogas), e embarcou em
uma curta e embaraçosa carreira solo como rapper, quando
adotou o nome artístico de Dee Dee King. O álbum de
rap lançado por Dee Dee foi rejeitado pela crítica
e pelo público, fazendo-o logo retornar ao punk rock. Dee
Dee continuou a gravitar ao redor dos Ramones, contribuindo com
letras e músicas para os discos seguintes.
O substituto de Dee Dee foi Christopher Joseph Ward, também
egresso do Queens, que adotou o nome CJ Ramone. Seu primeiro show
com a banda foi realizado em 30 de setembro de 1989.
Anos 1990 -
o final do grupo
A década
de 90 começou com o sucesso comercial de bandas de Seattle
cujos integrantes cresceram ouvindo os Ramones, como Nirvana, Soundgarden
e Pearl Jam. Entretanto, a banda de Nova York continuou a ver seus
discos tendo maus desempenhos nas paradas de sucesso, apesar da
mudança no gosto do público.
Em 1991 os Ramones lançaram mais um disco ao vivo, Loco Live,
gravado em Barcelona durante a turnê de Brain Drain. Foi o
primeiro disco com CJ Ramone no grupo, e registrou o estilo rápido
e pesado que o grupo desenvolveu ao longo da década de 80.
O próximo disco de estúdio seria Mondo Bizarro, lançado
em 1992. Nessa época os Ramones viram aparecer uma nova geração
de fãs, especialmente na América Latina. Mondo Bizarro
chegou a ser disco de ouro no Brasil, na Argentina e no Japão
e suas apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro
e Buenos Aires lotavam estádios com dezenas de milhares de
jovens fãs. Ainda assim, quando retornavam aos Estados Unidos
os Ramones voltavam a tocar em pequenas casas de shows, para seu
fiel mas reduzido público.
Nessa época a banda começava a dar sinais de cansaço,
e em 1994 lançou um álbum de estúdio sem composições
próprias, Acid Eaters, composto por covers de bandas dos
anos 60. Os Ramones decidiram dissolver a banda, mas antes queriam
dar mais um presente a seu fiel público: mais um álbum
de estúdio e uma última turnê.
Em 1995 a banda lançou ¡Adios Amigos!, e partiu para
uma turnê mundial pela última vez. O último
show da banda, realizado no The Palace de Los Angeles, foi registrado
e posteriormente lançado como o disco ao vivo We're Outta
Here (1997). Ainda em 1996 foi lançado mais um disco ao vivo,
Greatest Hits Live, uma coletânea de músicas gravadas
em 29 de fevereiro daquele ano, no The Academy em Nova York.
Anos
2000 - período pós-banda
Joey Ramone
morreu de câncer linfático em 15 de abril de 2001,
em Nova Iorque. Após sua morte, a rua da casa noturna CBGB's
passou a se chamar Joey Ramone's Place. Numa entrevista, Marky contou
que estava trabalhando com Joey em um projeto solo, antes de sua
morte. O álbum, que foi lançado em 2002 e se chama
Don't Worry About Me, inclui uma versão cover do clássico
de Louis Armstrong What a Wonderful World.
Um ano depois, em 6 de junho de 2002, Dee Dee Ramone é encontrado
morto em sua casa em Hollywood, por overdose de drogas. Antes de
sua morte, Dee Dee Ramone lançou uma autobiografia no qual
conta sua infância, os problemas com o uso de heroína
e sua vida com os Ramones, chamada Coração Envenenado:
Minha vida com os Ramones.
Em meados de 2004, Marky Ramone lançou um DVD com cenas de
bastidores das turnês, gravadas com uma câmera amadora
pela banda. RAW contém ainda um show gravado em 1980 na Itália
e aparições na televisão, contando com aproximadamente
cinco horas de material. No mesmo ano Johnny Ramone sucumbe a um
câncer de próstata em 15 de setembro em Los Angeles,
Califórnia, e ganhou uma estátua em sua homenagem.
Integrantes
Joey
Ramone - vocal (1974-1996)
Faleceu em decorrência de um câncer linfático
em 15 de abril de 2001, em Nova Iorque. Sofria da doença
há anos, mas com seu sistema imunológico enfraquecido
devido a um pequeno acidente, o mal piorou.
Johnny
Ramone - guitarra (1974-1996)
Morreu em decorrência de um câncer de próstata
em 15 de setembro de 2004, em Los Angeles. Ele lutava contra a doença
desde 1999.
Dee
Dee Ramone - baixo (1974-1989)
Foi encontrado morto em sua casa em Hollywood em 5 de junho de 2002,
devido a uma overdose de heroína.
Elvis
Ramone - bateria (1987-1987)
Apresentou-se com a banda em duas ocasiões: 28 de agosto
de 1987, em Providence, Rhode Island, e 29 de agosto de 1987.
Marky
Ramone - bateria (1978-1983; 1987-1996)
Em 1983 Marky foi forçado a abandonar a banda por causa dos
problemas com o álcool. Em 1987 ele volta a ocupar o lugar
de baterista após estar recuperado do alcoolismo.
CJ Ramone
- baixo (1989-1996)
Substituiu Dee Dee Ramone
Tommy
Ramone - bateria (1974-1978)
Após a gravação do terceiro disco Tommy deixou
a bateria e virou produtor da banda.
Richie
Ramone - bateria (1983-1987)
Substituiu Marky Ramone na bateria. Deixou a banda pois queria casar-se
e alegando não receber participação nos lucros
das vendas de camisetas e não suportar o autoritarismo de
Johnny Ramone.
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