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PISTOLS
Sex Pistols foi uma banda ícone
do punk rock, formada em 1975, Londres.Nenhum movimento musical
conseguiu superar a força seminal do punk. Incorporando a
rebeldia primal do rock n' roll, um bando de garotos eternamente
inconformados conseguiu transformar os padrões de comportamento
em todos os segmentos do mundo pop. Não é exagero
nenhum dizer que o punk mudou tudo - e não apenas no que
tange à música. Desde os primórdios, o estilo
sustentou-se graças à sua multiplicidade. Ser punk
sempre foi algo maior do que ser apenas mais um fã de qualquer
outra facção do amplo universo da música pop.
O punk rock era um estilo de vida.
O começo
de tudo
O homem-chave
no nascimento do punk rock atende pelo nome de Malcom McLaren, hoje
um senhor de 49 anos mais preocupado com a produção
do disco da top model Christie Turlington. A história de
McLaren começa a ficar interessante em 71, quando abriu a
Let It Rock, uma loja de roupas para a nova geração
de teddy boys - os filhotes das gangues originais, surgidas nos
idos de 53. Desde então, McLaren tornou-se uma celebridade
entre músicos e modernos londrinos.
Num dia qualquer de 73, os integrantes da banda protopunk New York
Dolls adentram a Let It Rock. O visual absurdo da banda (uma mistura
de glitter e sadomasoquismo) conquista McLaren e ele vira seu empresário.
Em Nova York, percebe o quanto os New York Dolls estavam datados
e deixa o barco.
Apesar de renegar os Dolls, o empresário trouxe uma idéia
bilhante dos Estados Unidos. Depois de sacar que o que valia no
mundo do rock em 75 era muito mais a atitude do que o som (vide
a decadência dos progressivos), McLaren decidiu "construir"
uma banda segundo seus novos padrões.
Mais uma vez em Londres, reassume sua loja - agora chamada SEX -
e transforma-a no epicentro do terremoto que sacudiria o mundo pop,
ajudado pela estilista Vivienne Westwood. Segundo o próprio
McLaren, foi ali que ele inventou o punk rock, ou melhor, os Sex
Pistols.
Reunir os quatro Pistols foi fácil: Steve Jones e Paul Cook
(respectivamente guitarrista e baterista) viviam na SEX. Glenn Matlock
- baixista e balconista da loja aos sábados - foi convocado
imediatamente. Faltava escolher o vocalista.
Depois de descartar o crítico Nick Kent e o cantor Richard
Hell para a vaga, a banda experimenta um velho freqüentador
do pedaço, um adolescente de dentes podres chamado John Lydon.
O teste é feito na loja, com o vocalista cantando numa jukebox.
Johnny, que nunca tinha cantado na vida antes, foi aprovado por
sua postura e comportamento anti-social, em resumo, era perfeito
para a vaga. Os ensaios começam. Agora a banda se chama Sex
Pistols e John Lydon vira Johnny Rotten (literalmente, Joãozinho
Podre).
O primeiro show acontece em 6 de novembro de 1975, um fiasco inevitável
dado o despreparo da banda. De qualquer maneira, ali nascia o punk
rock. A palavra que dá nome ao estilo não era nova.
Muito pelo contrário. William Shakespeare a usava para qualificar
prostitutas. Séculos depois a palavra transformou-se no adjetivo
patra designar sadomasoquistas. Esperto como sempre, McLaren a escolheu
como nome do estilo que ajudara a forjar - um sinônimo para
o lixo exposto por Rotten e companhia.
O movimento se alastra
Simultaneamente
ao parto dos Pistols, dezenas de bandas começam a abraçar
o estilo, sobretudo em Londres. A epidemia alastrou-se com velocidade
absurda. O motivo para tanta rapidez era simples: estava na hora
de renegar a mesmice dos paleolíticos rockstars da época.
Não por acaso, um jovem chamado Joe Strummer - sim, o vocalista
do The Clash - resolveu acabar com seu velho grupo, o 101'ers, depois
de dividir o palco de um pequeno festival com o Sex Pistols. O grupo
The Clash foi formado em 24 horas, em 76. Depois de um encontro
no mercado de rua de Portobello Road, Mick Jones (guitarra), Paul
Simonon (baixo) e Strummer já começaram a ensaiar.
Achar o baterista Terry Chimes foi apenas questão de tempo.
Como num passe de mágica, os Pistols tinham com quem dividir
as parcas luzes do circuito punk londrino.
O movimento crescia a cada dia e bandas não paravam de pipocar
- entre elas The Damned, the Stranglers, Siouxsie & The Banshees,
Generation X (que contava com um vocalista endiabrado chamado Billy
Idol)-, mas até meados de 1976 nehum disco havia sido lançado.
O primeiro compacto punk saiu em 5 de novembro do mesmo ano, "New
Rose" (The Danmed). Pouco antes, em 8 de outubro, os Pistols
assinam o histórico contrato com a EMI - a gravadora dos
Beatles, The Animals e The Mamas And The Papas, entre muitos outros.
Um mês depois chega às lojas o histórico compacto
"Anarch In The UK". A porrada acertou o alvo - o caquético
império britânico e seus valores -, mas não
derrubou por completo o adversário. Os Pistols ainda eram
apenas conhecidos apenas no gueto de onde surgiram.
Mas a televisão encarregou-se de levar o punk aos pudicos
lares ingleses. No dia 1o de dezembro de 76, Siouxsie, os Pistols
e outros punks são os astros de um dos programas de maior
audiência da TV inglesa, levado ao ar às cinco da tarde,
a famosa hora do chá, na qual famílias concentram-se
frente à TV. Depois do programa, dois milhões de britânicos
passam a amar ou odiar os Sex Pistols. Motivo: pela primeira vez
na história, a expressão "fuck off" (foda-se)
é dita diante das câmeras. O protagonista da história
só podia ser Johnny Rotten.
Melhor golpe de marketing impossível. A imprensa caiu de
pau no episódio, detonando os Pistols por completo e, de
quebra, levando o movimento às primeiras páginas de
todos os jornais. Dez mil cópias de "Anarchy In The
UK" são vendidas diariamente. Contudo os Pistols são
chutados da EMI em 6 de janeiro de 77. Começava o ano da
glória da banda.
1977:
O ano do punk
Glen Matlock
nunca se deu bem com Johnny Rotten, apesar de ser considerado por
muitos o melhor músico do grupo. Em fevereiro de 77 as brigas
encresparam - sobretudo no que se referia às suas diferenças
políticas - e Matlock é enxotado. A saída do
baixista motivou a entrada daquele que viria a ser o maior símbolo
do punk rock em todos os tempos, Sid Vicious.
O melhor amigo de Rotten era um baixista sofrível que mal
conseguia tocar, por estar o tempo todo chapado com drogas de todo
o tipo. Contudo, sua performance ao vivo e sua personalidade autodestrutiva
deram o toque final na fórmula do grupo. Vicious dá
trabalho desde o início: num dos primeiros ensaios, passa
mal e é levado as pressas para o hospital. Diagnóstico:
hepatite causada pelo alto consumo de álcool e drogas, é
claro.
Apesar de terem cancelado dezenas de shows, os Pistols logo assinaram
um contrato com a gravadora A & M, e aproveitando o jubileu
de prata da rainha Elisabeth II, quando completou 25 anos no poder
da Inglaterra, a banda solta o compacto de "God Save The Queen".
A canção trazia uma das máximas do movimento
punk: "Não há futuro na Inglaterra."
Em março, foi a vez da A & M despedir o grupo. Os motivos
foram exatamente os mesmos da EMI, mas desta vez os quatro Pistols
e McLaren embolsaram cerca de 75 mil dólares cada um. Dois
meses depois, a Virgin contratou a banda.
Enfim, o grupo achara a gravadora perfeita. Dirigida por Richard
Branson - um jovem milionário excêntrico e quase tão
maluco quanto os músicos que contratara-, a Virgin banca
todas as brigas dos Pistols, inclusive o veto da BBC a "God
Save The Queen". Numa das raras entrevistas dadas pelos Pistols
na época, Johnny Rotten explica a revolta de sua banda: "A
música precisa dar assistência a todo esse lixo (a
sociedade britânica). A música tem que mostrar saídas
para se vencer a estagnação. Ela tem que ser verdadeira
mas também bem-humorada. E isso não é política."
O compacto chegou à terceira posição na parada
britânica enquanto a banda preparava seu tão aguardado
álbum de estréia, que acabou sendo lançado
em 12 de novembro: "Nevermind The Bullocks, Here's The Sex
Pistols" ("Abaixo aos idiotas, aqui estão os Sex
Pistols).Então, de repente, a Inglaterra ficou pequena para
o punk rock.
O último tiro dos Pistols
Mais uma vez
os pioneiros são os Pistols. A banda foi para os Estados
Unidos em janeiro de 78 e encontra o país no auge da febre
disco, apesar da aceitação do punk entre alguns poucos
nova-iorquinos. O visto de permanência no país valia
apenas dezesseis dias, o que força a banda a fazer uma miniturnê
em ritmo de maratona. Ela passa por Atlanta, Dallas, Tulsa e finalmente
chega ao berço do psicodelismo, San Francisco.
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No dia 14 de
janeiro os Pistols fazem seu último show, para uma platéia
de 5500 pessoas. Quatro dias depois, no restaurante do hotel onde
a banda estava hospedada, em San Francisco, Paul Cook e Steve Jones
dizem a Rotten que querem acabar com a banda. Pior: McLaren pensava
o mesmo. O vocalista subiu até o quarto do empresário.
Lá, ouviu Mclaren confirmar a história e ainda expulsá-lo
da banda, sob a acusação de ser responsável
pelo fracasso de vários projetos do grupo - entre eles a
famosa visita ao assaltante Ronald Biggs no Rio de Janeiro, feita
por Cook e Jones pouco tempo depois. Onde estava Sid Vicious enquanto
sua banda chegava ao fim? Internado num hospital, recuperando-se
de um porre homérico.
Depois do desmantelamento dos Pistols, o baixista ainda gravou algumas
canções com Cook e Jones, como a absurda versão
de "My Way" e "Belsen Was A Gas", incluídas
no filme e disco The Great Rock N'Roll Swindle.
Vicious iniciou então uma carreira solo, acabada numa cela
de cadeia. O baixista foi preso pelo assassinato de sua namorada
Nancy Spungen, em 11 de outubro de 78. O fato nunca ficou totalmente
esclarecido: o corpo esfaqueado foi achado num quarto de hotel,
com Sid completamente chapado de heroína ao seu lado.
O baixista foi preso imediatamente e só saiu da cadeia depois
que a Virgin bancou uma fiança de 50 mil dólares.
Em 2 de fevereiro de 79, menos de 24 horas depois de sua libertação,
Vicious sofre uma overdose de heroína no banheiro da casa
de sua mãe durante uma festa. Aos 21 anos, estava morto o
homem-símbolo do punk rock.
Malcom McLaren, Paul Cook e Steve Jones chegavam a Nova York poucas
horas depois, ironicamente com a intenção de manter
Vicious longe da heroína. "Não creio que Sid
morreu por causa dos problemas com os Pistols. O que eu não
entendo é como as pessoas que estavam com ele na festa o
deixaram consumir heroína", disse Mclaren a Melody Maker,
dias depois da morte do baixista.
O engodo assumido The Great Rock N' Roll Swindle só veio
para colocar um ponto final no mito Sex Pistols. Tanto o disco quanto
o filme são obras erráticas, que valem apenas pelo
registro de algumas das imagens - sonoras e visuais - mais importantes
da história do punk. Na seqüência em que Vicious
canta "My Way" e estoura os miolos da platéia de
velhinhos que o assiste está resumida a história dos
Pistols - um coquetel molotov que arrasou a Inglaterra e mudou para
sempre a história do rock.
Frases
"Eu não
preciso de um Rolls Royce, eu não preciso de uma casa no
campo, eu não tenho que morar na França. Eu não
tenho heróis do rock. Eles são desnecessários.
Os Stones e o The Who não significam nada para mim; eles
estão estabilizados. Os Stones são mais um negócio
do que uma banda." Johnny Rotten (Dezembro de 1976)
"A música precisa dar assistência a todo esse
lixo (a sociedade britânica). A música tem que mostrar
saídas para se vencer a estagnação. Ela tem
que ser verdadeira mas também bem-humorada. E isso não
é política." Johhny Rotten (explicando a revolta
da sua banda)
"...Never Mind The Bullocks, todos concordam, é um dos
melhores discos do século XX." Pete Townshend (Guitarista
do The Who /Q Magazine - junho/96)
"Os Sex Pistols pertencem a um grupo muito seleto de artistas,
que podem afirmar com convicção haverem mudado o mundo."
The Independent (24/06/96)
"Não creio que Sid morreu por causa dos problemas com
os Pistols. O que eu não entendo é como as pessoas
que estava com ele na festa o deixaram consumir heroína."
Malcom Mclaren (Melody Maker / dias depois da morte do baixista)
"Eu acho que o Clash vende tantos discos por que estão
sempre na TV e nos jornais falando sobre o movimento punk... Então
os jornais falam bastante de seus discos, e estes vendem."
Malcom McLaren (Sounds/junho/76)
"Eu ouvi o quanto vocês gostam de Dolly Parton aqui...Vocês
ainda comemoram o aniversário do Elvis Presley?" Johnny
Rotten (na turnê americana de 78)
"O rock n' roll está acabado, você não
entende? Os Sex Pistols acabou com o rock, eles são a última
banda de rock n' roll" Johnny Rotten
"Não há futuro para o sonho brasileiro"
Johnny Rotten (1996 - mudando a letra de "God Save The Queen",
no show em São Paulo)
"Eu quero ser um anarquista em São Paulo" Johnny
Rotten (1996 - mudando a letra de "Anarchy In The UK",
no show em São Paulo)
"O punk sempre foi decepcionante! E sempre será. Sempre"
Johnny Rotten (1996)
"A única mensagem que temos para passar é a de
que os Sex Pistols são a coisa "real". Somos a
melhor banda punk... Esqueça o punk, isso não existe
mais. Somos a melhor banda de rock de todos os tempos." Steve
Jones (1996)
"Punks eram as aparelhagens de som que nos davam para tocar
e o público bêbado e idiota." Glen Matlock (1996)
"O punk nasceu de uma maneira bem pouco musical. Eu estava
andando com minha camiseta 'Eu odeio Pink Floyd' e fui convidado
para ir à loja Sex de Malcom e Vivienne. Como não
sabia cantar, fiz mimícas de uma música do Alice Cooper."
Johnny Rotten (no livro "Rotten - No Irish, No Black, No Dogs")
"Nós inventamos o punk. Nós dizemos como as coisas
são." Johnny Rotten (1996)
"Nossa atitude de quebrar tudo só vai durar até
quando estivermos tão velhos quanto o Peter Townshend, fazendo
rock só pelo dinheiro." Paul Cook (1976)
"Nós encontramos uma causa comum(para voltar), o dinheiro.
Não preciso realmente disso, mas um pouco mais, por que não?
É um assalto a luz do dia." Johnny Rotten (1996)
Toda vez que alguém diz que alguma coisa é sagrada
e não deve ser tocada, eu quero tocá-la." Johnny
Rotten (1996)
"O Sex Pistols nunca terminou própriamente, simplesmente
fracassou." Johnny Rotten (1996)
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