| The
Clash foi um grupo de punk rock britânico que
durou de 1976 até 1985. Uma das bandas mais
aclamadas pela crítica da época, o The
Clash foi famoso por seu alcance musical (incorporavam
reggae, rockabilly, e eventualmente muitos outros
estilos musicais em seu repertório), por demonstrar
uma sofisticação lírica e política
que os distinguia da maioria de seus companheiros
no movimento punk, e por suas explosivas performances
ao vivo.
Formação e primórdios
da banda
Formado
originalmente por John Mellor - vulgo Joe Strummer
- (vocais, guitarra rítmica), Mick Jones (vocais,
guitarra), Paul Simonon (baixo e vocais), Keith Levene
(guitarra guia) e Terry Chimes - creditado no primeiro
LP como "Tory Crimes" - (bateria), o Clash
foi formado em Londres em 1976 durante a primeira
leva do punk britânico. Strummer fazia parte
dos The 101ers e Jones e Simonon da lendária
banda de proto-punk London SS. Por influência
do empresário Bernie Rhodes, Levene e Simonon
recrutaram Strummer. Estava formado o Clash.
Keith Levene foi o guitarrista da banda neste começo,
mas depois de 5 shows abandonou o grupo sob circustâncias
ambíguas.
Depois do lançamento do primeiro álbum
do Clash, Chimes foi substituído pelo baterista
Topper Headon. Inicialmente a banda foi conhecida
por sua visão extremamente esquerdista e pelas
roupas que eles pintavam com slogans revolucionários.
O primeiro show foi em 1976 como banda de apoio dos
Sex Pistols, e então eles assinaram contrato
com a CBS Records. O Clash lançou seu primeiro
compacto ("White Riot") e seu primeiro álbum
(The Clash) em 1977, alcançando sucesso considerável
no Reino Unido. Apesar disso a CBS se recusou a lançá-los
nos Estados Unidos, só o fazendo dois anos
depois.
The Clash foi um álbum de punk rock britânico
seminal. A maioria das músicas eram porradas
de 2-3 minutos, mas as composições e
melodias superiores destacaram Strummer e Jones entre
a maioria de seus contemporâneos. Incluiria
também a primeira evidência de sua habilidade,
que se repetiria por toda a carreira da banda, de
absorver um estilo musical e dar a ele uma atmosfera
própria, aqui com uma versão do clássico
do reggae “Police and Thieves”.
Seu álbum seguinte, Give ‘Em Enough Rope,
foi o primeiro a apresentar Topper Headon em todas
as faixas. Rope foi lançado em 1978, alcançando
a segunda colocação na parada de sucessos
britânica mas fracassando em sua tentativa de
penetrar no maior mercado mundial de música,
os Estados Unidos.
Política
Assim
como a maioria das primeiras bandas punk, o Clash
protestava contra a monarquia e a aristocracia no
Reino Unido e ao redor do mundo. Mas ao contrário
dessas primeiras bandas punks, o Clash rejeitou o
sentimento dominante de niilismo e anarquismo. Ao
invés disso, eles se solidariezaram com diversos
movimentos de libertação da época.
Sua visão política era expressada explicitamente
em seus versos, como em “White Riot”,
que encorajava jovens brancos a entrarem para organizações
libertárias de negros.
Certa vez, em 1977, durante um show da ‘’Love
Music Hate Racism’’ organizada pela Liga
Anti-Nazismo, Joe Strummer vestiu uma polêmica
camiseta com as palavras ‘’Brigate Rosse’’
e o emblema da facção Baader-Meinhof
estampadas no centro. Ele declarou posteriormente
que usou a camiseta não para apoiar os terroristas,
mas para chamar atenção à sua
existência. Ainda assim, ele se arrependeu depois
do show, o que o levou a compor a canção
“Tommy Gun”, renunciando à violência
como um meio de protesto.
O The Clash também apoiava o IRA e o PLO, e,
posteriormente, o Sandinista e outros movimentos marxistas
da América Latina, além de estarem envolvidos
diretamente com a polêmica Liga Anti-Nazismo
e o Rock Against Racism. Eles são geralmente
creditados por fundar as bases do punk rock no protesto
liberal.
Sucesso nos Estados Unidos
‘’Give
‘Em Enough Rope’’ foi o primeiro
álbum do Clash lançado nos E.U.A., e
para divulgá-lo a banda organizou uma turnê
norte-americana em 1979. Seu primeiro álbum
só sairia ali em julho de 1979, então
em versão drasticamente revisada e editada
da lançada anteriormente.
O sucesso de crítica e de vendas do Clash nos
Estados Unidos veio com ‘’London Calling’’,
um álbum duplo lançado em 1979 (pelo
preço de um simples, por exigência da
banda). Além do punk, apresentava uma gama
variada de estilos, incluindo o rockabilly e reggae.
A seguir veio ‘’Sandinista!”, álbum
triplo pelo preço de um duplo, lançado
no final de 1980. A banda continuou seus experimentos
com o reggae e o dub, se expandindo em direção
a outras técnicas de produção
e estilos musicais, que incluíam jazz e hip-hop.
O resultado confundiu os novos fãs e as vendas
caíram, embora tenham se saído melhor
nos E.U.A. Depois do lançamento de ‘’Sandinista!’’,
o Clash entrou em sua primeira turnê mundial,
visitando países da Ásia e da Oceania.
Em 1982, a banda retornou com o mais vendido de seus
álbuns, ‘’Combat Rock’’,
apresentando os sucessos “Rock The Casbah”
e “Should I Stay Or Should I Go?”.
Tensões e dissolução
Os
sintomas aparentemente passaram despercebidos com
o sucesso de ‘’Combat Rock’’,
mas depois deste álbum o Clash começou
lentamente a se desintegrar. Topper Headon foi demitido
devido à problemas com drogas, e o baterista
original da banda, Terry Chimes, foi chamado de volta
para a turnê seguinte. Depois da turnê
‘’Combat Rock’’ de 1982 ele
saiu do Clash, convencido de que o grupo não
duraria muito tempo com todas as brigas e desentendimentos.
Em 1983, depois de uma longa busca por um novo baterista,
Pete Howard foi recrutado e tocou com a formação
original em alguns shows nos Estados Unidos.
Em setembro de 1983, Strummer e Simonon expulsaram
Jones da banda, citando seu comportamento problemático
e divergências musicais. Depois de uma série
de testes, a banda contratou Nick Shepperd e Vince
White, ambos com 23 anos, como seus novos guitarristas.
Eles voltaram a se apresentar em janeiro de 1984,
e no final do mesmo ano anunciaram que um novo disco
estava a caminho.
As sessões de gravação deste
novo álbum foram decepcionantes, com o empresário
Bernie Rhodes recusando o talento considerável
de Howard em favor de uma bateria eletrônica,
alterando drasticamente os arranjos das músicas
e baseando o som da banda em sintetizadores.
Desiludidos com o álbum, Strummer levou o Clash
para viajar pela Inglaterra e Escócia, tocando
de graça em esquinas e bares. O grupo apresentou
seus últimos shows em 1985. Enquanto isso,
‘’Cut The Crap’’ era lançado,
sendo bombardeado pelas críticas e sofrendo
vendas pífias.
Carreiras
pós-Clash
Joe
Strummer atuou em alguns filmes, gravou trilhas sonoras
e tocou com algumas bandas de sucesso limitado. No
final dos anos 90, ele reuniu um grupo chamado The
Mescaleros, assinando com o selo punk Hellcat Records
e lançando um álbum chamado ‘’Rock
Art and the X-Ray Style’’. A banda passou
a fazer turnês pelos Estados Unidos e Inglaterra,
tocando, além de suas músicas, sucessos
do Clash e clássicos do reggae. Em dezembro
de 2002, Strummer morreu subitamente, vítima
de um ataque cardíaco. Ele tinha 50 anos. O
álbum do Mescaleros em que ele estava trabalhando,
‘’Streetcore’’, foi lançado
postumamente em 2003, sendo aclamado pela crítica.
Depois do fim do The Clash, Paul Simonon entrou para
um grupo chamado Havana 3AM, que gravou somente um
álbum no Japão e se separou. Posteriormente
Simonon voltaria às suas raízes de artista
visual, organizando várias galerias de arte.
Sua relutância em voltar a tocar foi citado
como a principal razão de o Clash ter sido
uma das poucas bandas punks britânicas dos anos
70 que não se aproveitou da febre de nostalgia
punk que assolou o final dos anos 90 para tentar relançar
a carreira.
Depois de ser despedido do Clash, Topper Headon seguiu
sem rumo com seu vício em heroína. Ele
formou uma banda de jazz que durou pouco tempo. Até
a gravação do documentário de
Don Letts sobre o Clash, ‘’Westway To
The World’’, Headon tinha sumido do mundo
da música. Atualmente ele está limpo
e continua a tocar. Foi em um de seus shows que ele
ficou sabendo da morte de Joe, e em 2003 ele anunciou
que tocaria em tributo a seu antigo companheiro de
banda.
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